Por SYLVIO BARROS SAWAYA; Urbanista e Professor da FEAU – USP, publicada na Revista Viver a Vida em Alpha, da Alphaville Urbanismo S.A. Diz Sylvio:
= “Construir e reconstruir pode ser algo apenas físico e material ou pode ser algo comunitário e social”.
Quando se destrói uma ocupação para substituí-la por outra, leva-se embora além do entulho gerado todo um conjunto de referências das pessoas que lá viveram e deram sentido para aquilo que lá havia e lá foi feito.
O Entulho material pode ser selecionado, dividido, processado e reutilizado. Aproveitam-se as ferragens velhas, os tijolos, as argamassas e os concretos despedaçados, os fios elétricos e o que mais puder ser útil, tanto pelos efeitos diretos – novas construções – quanto pelos seus efeitos indiretos – os impactos controlados no ambiente. O Entulho dos sentidos e das significações se perde; fica condenado a povoar as fantasias e as emoções daqueles que já não o têm mais. Ficam restos: a diretriz de uma rua, o tamanho de uma quadra, a convivência com que sobrou do relevo do terreno. São substituídos por outros sentidos e significados em geral menores, enlatados para consumo fácil e transitório, utilizando-se do afã, da vaidade e do modismo.
“ O entulho pode ser
processado e reutilizado.
Tanto pelos efeitos diretos
- Novas Construções –
Quanto pelos efeitos
Indiretos – 0 controle do
Impacto ambiental”
As cidades vão deixando de ser cidades, passam a ser apenas aglomerados que funciona bem ou mal, vida marcada pelo relógio e pelo ato mecanizado.
A saudade do encontro na Praça, da conversa no Botequim, da volta da escola a pé, vendo as pessoas e as coisas; das brincadeiras de rua, tudo isso vai aos poucos criando um sentimento de que algo de bom se perdeu.
O amor às cidades construídas pela vida, pelo trabalho, pela solidariedade e pelos atritos da existência em comum dos habitantes e de seus lugares é fundamental.
Os sentidos e os significados gerados por esta convivência retomada no espaço, longe de serem estraçalhadas pela inconsciência e ansiedade do imediatismo, devem ser explicitados e transformados pelo conhecimento comunitário e coletivo, através do que se deseja como ambiente e espaço social de vida; delineando futuros, que além de corresponderem às necessidades e anseios produzidos pela vida no seu curso constante, possam conter as riquezas e as permanências geradas em um passado que se deseja num futuro.
Volta atrás?? Medo de transformação?? Nada disso. Apenas sabedoria em se saber o que se é, de onde se vem e o que se deseja ser enquanto indivíduo, mas sobretudo, enquanto grupamento social.=”
Empresário da Construção Civil da cidade de Londrina, no Paraná, está dando exemplo de como se pode reconstruir.
Toda a demolição que vai ser efetuada na cidade passa por uma vistoria geral para verificação de capacidade de aproveitamento dos materiais = entulhos = que são aproveitados em sua totalidade em projetos de mutirões habitacionais. É um exemplo de responsabilidade social, pois não busca nenhum benefício fiscal, e sim de solidariedade humana com os mais necessitados.
Luiz Alberto Fortes
Corretor de Imóveis
fortesimoveis@terra.com.br
