Prédio é um dos mais significativos ícones da arquitetura moderna, e também um marco da verticalização na capital gaúcha.
21/11/2008, Porto Alegre, RS -
Na última quarta-feira (19), a Prefeitura Municipal de Porto Alegre, RS, e a Caixa Econômica Federal celebraram oficialmente o contrato para a execução, restauro, reforma e ampliação do Edifício Imperial, localizado na Rua dos Andradas, em frente à Praça da Alfândega, no centro histórico da capital gaúcha, adaptando-o para abrigar um centro cultural.
Obra da Azevedo Moura & Gertrum (AMG), implantada na década de 30 do Século XX, o Edifício Imperial totaliza 8,8 mil m2 de área construída. O projeto prevê teatro com capacidade para 670 expectadores, além de espaços para museu, exposições, ensaios de dança e sala multimídia.
Em contrapartida à realização da obra, a prefeitura cedeu os cinco primeiros pavimentos do Imperial à Caixa Econômica Federal, por período de 30 anos. Cedeu ainda uma área de terreno livre de ocupação, localizada nos fundos do edifício, onde será construído um novo imóvel. Os andares superiores serão utilizados para sediar a secretaria Municipal de Cultura (SMC).
Conforme a prefeitura do município, “o projeto (de restauração) vai manter a concepção do cine-teatro (que faz parte da ocupação original do prédio), preservando a fachada e outros elementos, como: pisos, luminárias e escadarias. Segundo declarações do prefeito José Fogaça, durante a assinatura do contrato, “a restauração do prédio e a utilização cultural do espaço contribuem para o projeto de revitalização do centro da cidade”.
A importância da AMG na verticalização de Porto Alegre – Conforme consta no documento: Acervos Azevedo Moura & Gertrum e João Alberto Fonseca da Silva: Memória da Arquitetura Moderna em Porto Alegre, compilado por alunos dos cursos de arquitetura em faculdades gaúchas (UniRitter, UFRGS, PUCRS: http://www.docomomo.org.br), o Edifício Imperial é uma das obras realizadas pela Azevedo Moura & Gertrum, fundada em 1924 pelos engenheiros Fernando de Azevedo Moura e Oscar Mostadeiro Gertrum. Durante 69 anos, a AMG construiu na capital gaúcha inúmeras edificações, entre as quais algumas tombadas como patrimônio histórico, integrando a memória da arquitetura moderna em Porto Alegre.
O fotógrafo da memória da cidade – Ainda segundo a compilação, por sua vez, o fotógrafo João Alberto Fonseca da Silva (autor das fotos antigas do Imperial), “ao longo de cinco décadas (1940-1980) documentou o processo de transformações arquitetônicas e urbanísticas ocorridas em Porto Alegre, além de grande parte da produção de renomados arquitetos gaúchos, tais como: Carlos Alberto de Holanda Mendonça, Ari Mazzini Canarim, Irineu Breittman, Edgar Albququerque Graeff, Cláudio Luiz Araújo e Carlos Maximiliano Fayet, entre outros”.
O Imperial, recordista brasileiro em apartamentos duplex – A compilação ressalta: “Das inúmeras obras realizadas (pela AMG), destaca-se o Edifício Imperial, pela sua localização privilegiada – a Praça da Alfândega; (…) pelo que representou na vida da cidade, em plena transformação vertical-horizontal; pela linguagem arquitetônica identificada com o seu tempo e, principalmente, pelo pioneirismo de sua solução de apartamentos duplex, localizados a partir do terceiro andar. Os primeiros apartamentos do gênero, em São Paulo, somente comparecem em 1935. Portanto, uma autêntica inovação rio-grandense, antecipando a capital paulista”. O projeto do edifício Imperial é dos arquitetos Agnello Nilo De Lucca e Egon Weindorf, enquanto a arquitetura original do interior da sala de cinema é de Fernando Corona.
A Praça da Alfândega, Cinelândia gaúcha – “Espaço urbano ímpar, a Praça da Alfândega reunia e ainda reúne algumas das principais edificações da cidade. Estes prédios abrigavam cinemas, (sedes de) jornais, hotéis e outras tantas atividades. Até a década de 70, a área significava para Porto Alegre o que fora a Cinelândia para o Ro de Janeiro”, diz o conteúdo da compilação.
A prefeitura de Porto Alegre informa que o custo total da obra de revitalização do Edifício Imperial será de R$ 16,5 milhões, e que é para 2010 a previsão da inauguração do novo centro cultural.
