
02/12/2008
Segundo banco, foram aplicados R$ 20,4 bilhões até novembro.
Número representa 60% de aumento sobre o mesmo período de 2007.
Maria Angélica Oliveira
Do G1, em São Paulo
A Caixa Econômica Federal anunciou nesta terça-feira (2) que os contratos de financiamento habitacional bateram novo recorde em 2008, somando R$ 20,4 bilhões. Segundo o banco, o valor representa um crescimento de 60% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o valor havia sido de R$ 12,7 bilhões
Os dados, fechados para o período até o dia 28 de novembro, apontam que foram assinados 446 mil contratos de financiamento habitacional no país durante o ano. A instituição informou ainda que, até o fim do ano, estima aplicar R$ 22,8 bilhões para financiamento e atingir a marca dos 500 mil contratos. Caso o número seja confirmado, a instituição também baterá o recorde anual de número de contratos, atualmente nos 466.526 financiados em 2003.
Planos para 2009:
Para o ano que vem, a Caixa diz ainda não ter fechado o seu orçamento para o setor de habitação, mas afirmou que pretende manter o valor previsto para o ancerramento de 2008, de R$ 22,8 bilhões. “A perspectiva da Caixa para o que vem não é negativa, muito pelo contrário. Achamos que podemos crescer até 20% (no financiamento habitacional)”, disse o vice-presidente do banco, Jorge Hereda.
Segundo ele, a Caixa tem tomado medidas para facilitar as condições de financiamento, citando como exemplo um convênio assinado em novembro entre a Caixa e o Ministério do Planejamento, para o financiamento de imóveis para funcionários públicos federais com desconto em folha. “Pretendemos continuar com parcerias com as governos estaduais (para os funcionários públicos locais)”, confirmou Hereda.
Petrobras:
Jorge Hereda também minimizou a polêmica levantada em torno do empréstimo de R$ 2 bilhões da Caixa para a Petrobras. “Para a gente é uma coisa perfeitamente resolvida, muito simples. É óbvio que uma grande empresa que sempre se financiou com recursos externos, em um momento de crise, vai procurar alternativas no Brasil”, afirmou o vice-presidente.
“O que existe é o que existe em qualquer empresa. O crédito lá fora está difícil, e as empresas estão procurando saídas aqui”, completou.
Segundo o vice-presidente da Caixa, outras empresas de grande porte têm procurado o banco em busca de empréstimo. No entanto, ele não quis citar quais seriam essas companhias. Para Hereda, esse tipo de empréstimo – que exige volumes financeiros maiores – não irá prejudicar o crédito para pequenas e médias empresas.
Tipos de empréstimo:
De acordo com o banco, os empréstimos com recursos das cadernetas de poupança (SBPE) superaram R$ 9,3 bilhões, com crescimento de 76% em relação aos R$ 5,2 bilhões de 2007. A meta é terminar 2008 com R$ 10 bilhões financiados nesse segmento.
Já na linha de financiamento que utiliza recursos do FGTS, a Caixa chegou aos R$ 10,2 bilhões, com aumento de 60% frente a 2007, e com a perspectiva de chegar a R$ 11,7 bilhões até o final do ano.
Perfil dos clientes:
De acordo com a instituição, em média o banco financiou 49,8% do valor total dos contratos. De 2003 a 2003, a maior parte dos tomadores de empréstimo (40%) ganham até três salários mínimos, sendo que 33% tem renda superior a cinco salários e 27% ganham entre três e cinco salários. A maioria dos usuários do financiamento (67%) têm até 30 anos.
A entidade destacou ainda o papel dos feirões na quebra do recorde de contratações habitacionais. O evento passou por dez cidades (São Paulo, Brasília, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, Uberlândia, Fortaleza, Curitiba e Rio de Janeiro), contabilizando R$ 4 bilhões e cerca de 56 mil negócios encaminhados.
Juros:
Questionado a respeito da cobrança do governo federal para que os bancos públicos reduzam as taxas de juros, o vice-presidente da Caixa disse apenas que esta é uma possibilidade que a instituição está analisando. “A Caixa não subiu nenhuma taxa de juro e também está estudando a possibilidade de abaixar”, disse Jorge Hereda.
A cobrança do governo se deve à crise econômica e às liberações de depósitos compulsórios por parte do Banco Central para os bancos. Em outubro, o BC liberou R$ 52,2 bilhões dos compulsórios. LULA
Capital de giro:
Antes da coletiva de imprensa realizada em São Paulo onde foram anunciados os resultados no setor de habitação, foram assinados os dois primeiros contratos de capital de giro para empresas do ramo de construção civil, no valor de R$ 4 milhões.
Até março, a Caixa deverá aplicar R$ 3 bilhões em operações como essa. A operação está prevista na Medida Provisória 445, que dispensa a Caixa de repassar parte dos dividendos para a União dentro das medidas para enfrentar a crise financeira global, aprovada pelo Congresso.