
Sinduscon/SP projeta para 2009 crescimento de 4,7% para o setor e 3,5% para a economia.
04/12/2008, São Paulo, SP – Pelo menos até final do terceiro trimestre de 2009, a construção civil não refletirá significativamente os efeitos da crise na economia mundial. No referente aos 12 meses do novo ano, a exemplo dos iguais períodos anteriores, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor crescerá acima da economia brasileira, numa relação de 4,7% para 3,5%. Este é o resumo do balanço feito pelo Sindicato da Indústria da Construção de São Paulo (Sinduscon/SP) em coletiva à imprensa, na última quarta-feira (03/12).
O presidente da entidade, Sérgio Watanabe, disse que “em 2009, a construção civil será esteio do PIB brasileiro”, porém destacou que, para tanto, “é fundamental a manutenção dos investimentos, “a todo custo”. “Portos, energia, marcos regulatórios etc. são a base de sustentação para criar ambientes propícios, que permitam à construção civil servir de amortecedor para a crise”, destacou Watanabe.
Conforme o Sinduscon/SP, na eventualidade de uma estagnação dos investimentos, em consequência das incertezas provocadas pela crise externa, haverá uma redução próximo a 1 ponto percentual no crescimento do PIB brasileiro, que se situará na casa de 2,8%, enquanto o setor crescerá 3,8%.
Em relação à redução no quadro de trabalhadores, que dá mostras de iniciar após níveis extraordinários de contratações em outubro último (18,5% acima de igual mês de 2007), o diretor de economia do Sinduscon/SP, Eduardo Zaidan, lembrou que “este é o tradicional período da sazonalidade no setor. Uma consulta aos panoramas dos anos anteriores vai demonstrar que a curva é, basicamente, a mesma”.
Na avaliação do Sinduscon/SP, o acréscimo no quadro das “demissões sazonais” deve ocorrer setorialmente: “Em função das incertezas, lançamentos foram adiados, e os postos abertos para a finalidade deixaram de existir. Contudo, as obras em andamento não foram e nem serão interrompidas. A construção civil planeja para 18, 24 e até 36 meses. O que está em realização hoje é fruto de investimentos anteriores, representando um fluxo que não pode ser interrompido”, reforçou Watanabe.
Após o primeiro trimestre do ano, o desempenho da construção civil, no que respeita ao segmento imobiliário, terá como forte componente a disposição do mercado para assumir riscos: “É inegável que, em algumas regiões, está esgotado o mercado para alta renda, segmento que independe de salário. Nestas regiões, as atenções se voltam para a baixa renda e esta, quanto menor o ganho, maior é o volume do mercado que representa e, portanto, maior é o risco que oferece. Diante deste quadro, há que ter coragem de enfrentar o risco, embora com cautela. Não há outro jeito”, opinou Watanabe.
Números de 2008 – O Sinduscon/SP prevê que a construção civil fechará 2008 com crescimento de 10%, e apresenta os números que levam à conclusão: “Entre janeiro a outubro, as vendas de cimento cresceram 15% e as de aço, 37%. O financiamento habitacional com recursos da poupança foi 80% superior ao concedido no mesmo período de 2007. O faturamento da indústria de material no mercado interno teve expansão real de 24%, e todas as regiões do país registraram crescimentos superiores a 10% no nível de emprego formal na construção. Ao fim de outubro, o emprego no setor registrou cerca de 2 milhões de postos de trabalho diretos”.