

Prédios verdes, calçadas largas e ciclovias fazem parte do projeto de urbanismo sustentável que está sendo desenvolvido no bairro Pedra Branca, em Florianópolis
Ystatille Gondim | Fonte: O Globo
Bairro Pedra Branca tem calçadas mais largas para privilegiar pedestresRio de Janeiro – As calçadas são mais largas para estimular as caminhadas. Já as ciclovias costuram todas as ruelas e avenidas para inibir o uso de carros. Amplas praças, áreas verdes, indústrias não poluentes, prédios verdes e mobiliário ecologicamente correto também compõem o projeto de urbanismo sustentável desenvolvido em Pedra Branca, bairro que começou a ser construído em 2000 na cidade de Palhoça, em Santa Catarina. Com quatro mil habitantes, o local foi selecionado, com outras 15 cidades de diferentes partes do mundo, para o Programa de Desenvolvimento Positivo de Clima, do ex-presidente americano Bill Clinton. Os empreendimentos imobiliários escolhidos investirão esforços para reduzir a quantidade de emissão local de CO2 para abaixo de zero.
De acordo com o diretor de engenharia do bairro, Dilnei Bittencourt, o projeto do novo urbanismo estará todo construído em Pedra Branca em 15 anos. A estimativa é que até lá o bairro, de 250 hectares, abrigue 30 mil habitantes em 2 milhões de metros quadrados. A Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda que as cidades disponibilizem 12 m² de área verde urbana para cada habitante. Atualmente, o Brasil tem 5m² de área livre para cada habitante. A meta do novo urbanismo de Pedra Branca é disponibilizar 25 m² para cada morador.
“O desenho original da Pedra Branca era tradicional. Buscamos em sua concepção atender às quatro funções necessárias para evitar o espalhamento das cidades: moradia, trabalho, lazer e estudo. Isso faz com que o morador tenha no máximo 15 minutos de caminhada, para chegar ao trabalho ou à escola e, em contrapartida, evita o uso do automóvel, responsável pela liberação de 70% do CO2 no planeta. Neste último ano, começamos a implementar a última fase do projeto da Pedra Branca, que tem como uma das principais prioridades, estar voltada para o conceito de sustentabilidade, além de manter a densidade equilibrada, estimular o o senso de comunidade e criar empreendimentos que contemplem moradia, trabalho, lazer e estudo”, diz o diretor de engenharia do bairro, Dilnei Bittencourt.
Áreas verdes fazem parte do projeto de urbanismo sustentável de Pedra BrancaO projeto de urbanismo sustentável, criado por uma equipe especializada em planejamento urbano e com consultoria do arquiteto Jaime Lerner, contará com arborização, piso elevado nas travessias para permitir o fácil trânsito de pedestres e drenagem para garantir ao local rápida secagem e a recarga do lençol freático.
“As cidades normalmente apresentam um rebaixo a partir do meio fio, entre a pista e a calçada. Fazemos o contrário. Damos prioridade ao pedestre. Por isso, colocamos as pistas de rolamento no cruzamento das ruas na mesma altura da calçada. O automóvel é que vai ter que subir o elevado para passar a faixa de travessia”, acrescenta Dilnei Bittencourt.
Os empreendimentos serão todos verdes, com coletores solares, e atenderão a todas as classes sócio-econômicas. De acordo com Bittencourt, o preço dos imóveis no bairro varia entre R$ 130 mil, com dois quartos e R$ 1 milhão, com quatro quartos e suítes. O objetivo é, com os prédios verdes, evitar o aumento do preço do imóvel, já que o conceito de sustentabilidade pretende não apenas preservar o meio ambiente como também gerar economias para a população.
Para estimular o senso de comunidade e os laços com o bairro, não haverá muros e nem cercas de proteção aos empreendimentos. No lugar deles, haverá reforços na vigilância local, através das já existentes câmeras nas ruas que são monitoradas por equipes especializadas em segurança e pela polícia. O carioca José Carlos Noronha de Oliveira atraído pela organização e segurança do bairro, se mudou para Pedra Branca em 2004.
Projeto de empreendimentos verdes para o bairro Pedra Branca, em Florianópolis”Fiz uma visita ao bairro e fiquei impressionado com a organização do local. Pedra Branca é super protegida. Já morei em 19 capitais, mas ainda não tinha conhecido um planejamento urbano e social como este. As casas são todas orientadas a ter coletor solar e um quarto do terreno de cada imóvel deve estar desnudo para evitar infiltração de água”, diz José Carlos.
O bairro é um modelo de empreendimento que segue as recomendações da norma Leadership in Energy & Environmental Design Neighboorhood Development (LEED ND), ainda em fase de estudos. De acordo com Bittencourt, a iluminação do bairro será feita com sistemas inteligentes de dimerização da luz, que serão implantados a partir do segundo semestre. Ou seja, até as 00h, os postes e prédios incidirão nas ruas feixes luminosos. Após este horário, a luz será reduzida a metade para economizar energia