Casa de bambu no Parque Estadual da Serra da Tiririca

casa de bambu

Perto da cidade carioca de Niterói, encravada no meio da reserva do Parque Estadual da Serra da Tiririca, está a casa construída com uma técnica ecossustentável ainda incomum na cultura brasileira. No projeto residencial de 255 m2 da arquiteta Celina Llerena, o destaque é o bambu, usado como o principal material construtivo: tanto na estrutura quanto nas divisórias de ambientes, alizares de portas e janelas e das ventilações cruzadas na parte superior da construção.
A estrutura da casa segue um princípio básico de pilares e soleiras. São dois tipos de pilares: os de fechamento que são os suportes para a sustentação das paredes, portas e janelas; e os pilares estruturais, que vão até o telhado, criando uma espécie de esqueleto da casa: são oito pilares estruturais na fachada frontal e oito na posterior, mais dois em cada fachada lateral. Detalhe: tudo de bambu.

As soleiras são peças de amarração que percorrem todo o perímetro da casa, paralelamente ao piso, a uma altura de 2,70 m. Foram desenvolvidas com duas estruturas: a central para a construção das paredes e acessórios, como portas e janelas, e a externa para apoio do beiral. Já as estroncas auxiliam no apoio da cobertura.
Esse sistema permitiu que a casa tivesse um vão livre central de seis metros, unindo a sala de estar e a cozinha.
As estruturas com bambus são leves, resistentes e com características diferenciadas das convencionais. Os bambus possuem feixes fibrovasculares mais concentrados que formam uma fração fibrosa, conferindo à planta elevada resistência mecânica como tração, compressão e flexão dependendo da espécie e idade dos colmos (o tipo de caule).
Nesse projeto, o bambu usado foi o Phyllostachys pubecens, conhecido também como mosso. Diferentemente da madeira, essa planta não possui cerne, por isso em bambus usam-se parafusos, e não pregos. É preciso deixar a base do bambu de 40 cm a 50 cm acima do nível do solo, evitando o contato com a umidade que sobe por capilaridade, além de evitar a incidência direta de sol e chuva com estrutura como beirais. “Não precisa substituir o bambu com o tempo em uma obra bem-feita e coberta”, assegura Llerena.
O projeto, além de ser sustentável, é versátil e de baixo custo. Descartando as formas tradicionais, a fundação da casa foi feita com manilhas, preenchidas com concreto ciclópico e vigas pré-moldadas, que sustentam a laje de piso do projeto. E utilizou, ainda, outros materiais, como as pedras para revestimento de uma das fachadas laterais, e o eucalipto para a rampa de acesso – material especificado por ser mais resistente a intempéries.

As paredes receberam quadros de madeira grampeados com chapas de ferro laminado, nas quais foram aplicadas argamassa com simples desempenadeiras. O resultado é uma parede comum, mas que dispensa o uso de tijolos.

Para completar o caráter ambiental da casa, no telhado foi projetado um jardim. Na cobertura foram instaladas as mesmas chapas de ferro, aparafusadas no próprio bambu, com uma camada de argamassa de 4 cm. O material foi coberto com uma manta com geotêxtil que, por sua vez, foi sobreposta com uma camada de 6 cm a 7 cm de terra. Já com a terra, foram colocados os rolos de gramas e arranjos com bromélias e outras flores de raízes rasas.

A escolha do bambu é ecologicamente correta. Além das poucas exigências do solo, dependendo da espécie e do uso, o bambu, após três anos de vida, permite em média dois cortes anuais e possui um dos mais rápidos crescimentos no reino vegetal. Segundo Llerena, que foca seu trabalho em arquitetura ecológica, “o bambu é autorrenovável e autossustentável, quanto mais se corta, mais fortalece a moita, que cresce sem parar, sem esquecer os critérios de corte e manejo”.

A planta, após ser retirada da mata, deve ser tratada para evitar o ataque de carunchos e fungos. Na obra da casa em Niterói, os bambus passaram por um tratamento químico com solução à base de sal inorgânico, chamado octaborato disodico tetrahidratado. O produto é aplicado por injeção nos entrenós dos bambus, utilizando uma bomba de pulverização agrícola.

FICHA TÉCNICA
PROJETO DE ARQUITETURA Ebiobambu – Celina Llerena

FORNECEDORES
PISO cimento queimado cinza e ladrilho hidráulico 20 cm x 20 cm de demolição
LAJE E VIGAS PRÉ-FABRICADAS Engemolde
SUBMANTA DA GRAMA Vinimanta e geotêxtil Sansuy
EUCALIPTOS TRATADOS LCPederassi
FECHAMENTO DAS PAREDES Permetal (telas Rib-Lath)

Revista au / edição 183/jun 2009

Publicado em: on Junho 24, 2009 at 2:54 pm Comentários (3)

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3 Comentários Leave a comment.

  1. Obrigado pela sua visita ao Blog.
    Como podes ver este projeto não é meu……….. veja abaixo e pesquise na internet os idealizadores do Projeto.
    FICHA TÉCNICA
    PROJETO DE ARQUITETURA Ebiobambu – Celina Llerena

    FORNECEDORES
    PISO cimento queimado cinza e ladrilho hidráulico 20 cm x 20 cm de demolição
    LAJE E VIGAS PRÉ-FABRICADAS Engemolde
    SUBMANTA DA GRAMA Vinimanta e geotêxtil Sansuy
    EUCALIPTOS TRATADOS LCPederassi
    FECHAMENTO DAS PAREDES Permetal (telas Rib-Lath)

    Revista au / edição 183/jun 2009

    Um abraço e sucesso no teu projeto de ensino

  2. Bom dia

    Trabalho em uma instituição de ensino e gostaria de fazer um projeto educacional com construção de bambu.

    como faço para conseguir o projeto da sua construção com o uso de bambu

  3. Parabéns Fortes essa é formula politicamente correta de conciliar o lado comercial com o meio ambiente,se as empresas dedicasem a ter lucro sem poluir o meio ambiente ja teriamos uma grande melhora.

    Sucesso


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