
A falta de mão de obra qualificada está no topo da lista de reclamações da indústria e já é apontada pelo governo como o principal gargalo a ser enfrentado pelo país para atender às demandas crescentes da economia
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, admitiu ao GLOBO que o Brasil só conseguirá qualificar em 2010 um quarto do que seria necessário, um milhão em vez de quatro milhões de trabalhadores. O mais grave é que não se trata apenas de preparo técnico ou especializado. Só 25% dos brasileiros dominam a escrita, a leitura e a matemática para se expressar e entender o que está à sua volta no contexto econômico e tecnológico atual. O dado é do Indicador de Analfabetismo Funcional 2009, realizado pelo Instituto Paulo Montenegro, braço sem fins lucrativos do Ibope. “Isso limita o potencial de expansão do país, sobretudo para os setores de serviços em geral e de turismo em particular, que exigem mais qualificação”, diz a diretora-executiva do instituto, Ana Lucia Lima. A indústria da construção civil precisará de 380 mil novos empregados até 2014 para a realização de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Minha Casa, Minha Vida e de projetos voltados para Olimpíadas e Copa do Mundo. Por isso, está preocupada e garante que a falta de qualificação é o principal problema a ser enfrentado pelo setor. Segundo Lupi, cerca de 900 mil vagas ofertadas nas agências do Sistema Nacional de Empregos (Sine) em todo o país deixaram de ser preenchidas em 2009 porque os candidatos não tinham a qualificação exigida. “A falta de qualificação hoje é problema sério no país e está ligada ao trabalho moderno, onde a informática está cada vez mais presente”, afirmou Lupi. Para complicar, parte dessa demanda por trabalhadores deverá ocorrer no interior dos estados, onde a situação de escassez é ainda mais grave. “Estão previstas obras em municípios que não contam com profissionais disponíveis”, disse o gerente do Observatório Ocupacional do Serviço Nacional da Indústria (Senai), Márcio Guerra Amorim. Estudos do Senai indicam que 54% da demanda por mão de obra da construção civil serão concentrados na Região Sudeste; 18%, no Nordeste; 14%, no Sul; 8%, no Centro-Oeste; e 6%, na Região Norte. O economista do banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal, afirma que esse é um problema estrutural que demanda anos de investimento e maturação para ser resolvido. “ Esse não é um problema conjuntural como a importação de cimento ou de peças que algumas companhias não estejam conseguindo produzir aqui por causa do crescimento. Antes, as empresas contratavam trabalhadores para treiná-los, mas nem estes estão disponíveis, o que as obriga a fazer melhores propostas a pessoas que estejam no mercado de trabalho, elevando os custos da produção”. A avaliação do Ministério da Fazenda vai na mesma linha. Segundo técnicos, embora setores como o aeroportuário e o de transportes também estejam sendo pressionados por gargalos, essas são áreas que estão recebendo investimentos. “São gargalos que não impedem o crescimento”, diz um técnico do governo. O orçamento do Ministério do Trabalho, somando recursos da União e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), soma R$800 milhões. Lupi até tentou retirar da Desvinculação das Receitas da União (DRU) as receitas do FAT para aumentar a verba da qualificação, mas não teve o aval da equipe econômica.
Fonte: www.vidaimobiliária/ 01/06/2010
Faltam engenheiros, eletricistas… Mão-de-obra é o principal gargalo
Quando junho chegar – por Romeu Chap Chap*

Romeu Chap Chap é presidente do Conselho Consultivo do Secovi-SP e do Conselho Editorial da Vida Imobiliaria –
Lançado há um ano, o programa “Minha Casa, Minha Vida” faz seu primeiro balanço. Aparentemente, os resultados não são muito animadores: cerca de 90 mil famílias estão em novas casas, conforme números divulgados em abril pela Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades.
Um número tímido considerado o tamanho do Brasil e o nosso crônico déficit habitacional. As razões são inúmeras, boa parte delas até justificáveis, como o tempo médio de aprovação de empreendimentos, os óbices criados por legislações (notadamente de ordem ambiental), a velocidade das prefeituras na oferta de áreas para habitações na faixa de zero a três salários mínimos, e por aí vai. Porém, fica a sensação de que muito mais poderia ter acontecido. O governo afirma que o prazo médio de construção é de um ano a um ano e meio. Assim, é a partir de junho que vamos começar a ver os grandes efeitos do programa. É claro que há fatos a comemorar. Entraram para análise pedidos para mais de 800 mil unidades e quase 410 mil delas estão contratadas. Certamente, como tenho afirmado, o programa vai alcançar a meta de um milhão de moradias aprovadas. Mas fazer com que esse número se transforme em teto para os trabalhadores são outros quinhentos. Naturalmente, existem entraves concretos. A Caixa, por seu lado, se tem empenhado para acelerar trâmites. Todavia, ainda é notável a pouca disponibilidade de pessoas devidamente preparadas para tocar projetos nas centenas de agências da instituição, cuja capilaridade é decisiva no processo. Há, ainda, a questão das prefeituras e problemas típicos de cada município. Em São Paulo, por exemplo, Plano Diretor e Lei de Zoneamento são complicadores quase que insuperáveis, uma vez que as restrições repercutem diretamente no preço dos terrenos. Com isso, o próprio valor máximo financiado pelo Minha Casa, Minha Vida (R$ 52 mil) se constitui em obstáculo para maiores avanços. Note-se que essa condição fica ainda pior na segunda fase do programa – já anunciada -, uma vez que a desvinculação das linhas de crédito do salário mínimo restringiu o número de pessoas que poderia ser atendido por faixa de renda. Sem dúvida, esse é um problema a resolver. E o setor tem boa expectativa de superar essa dificuldade por meio de entendimentos com a equipe governamental. Todavia, nem isso terá o poder de garantir que propostas se transformem em realidade, ainda que o próprio governo não tenha dado prazo de entrega para as unidades previstas. Até porque é preciso somar à questão outros empecilhos, como a elevação dos custos de material de construção e mão de obra. Não cabe, em momento algum, desanimar. É fundamental continuar acreditando e apostando no primeiro programa que, de fato, atende às famílias de menor renda, incluindo no mercado aquelas que jamais poderiam sonhar com moradia digna sem subsídios orçamentários diretos. Menos ainda, podemos desmerecer a atuação da Caixa Econômica Federal, que se firma como grande banco social, atendendo também a classe média brasileira. Entretanto, é preciso acompanhar, incentivar e propor medidas de melhoria para que não se crie um ambiente de frustração nacional, para potenciais compradores e empresários do setor imobiliário. Como nunca, é imprescindível vencer barreiras. Dentre elas, a de caráter ideológico-partidário. Todos precisam entender que um programa habitacional deste porte tem de continuar, não importa o tipo de governo. O que interessa é a população, não o candidato de plantão. Sem esse desprendimento, será difícil avançar. Isso sem falar na imperiosa necessidade de também se adotar sistemas construtivos inovadores, que devem ser incentivados pela própria Caixa. Ao final de junho teremos uma visão mais palatável da efetividade do programa Minha Casa, Minha Vida. Desde logo, porém, cabe integral atenção por parte do conjunto da sociedade. Afinal, habitação para todos é mais que um desejo; é caminho concreto de trazer para a igualdade e construir o desenvolvimento sustentado do País.
Fonte: www.vidaimobilária.com.br
18/05/2010
Imóvel residencial é o investimento da vez, diz financista
Para o vice-presidente do Ibef, estabilidade econômica confere segurança à aplicação nesse tipo de bem, “que agrega valor através de gerações”.
17/05/10, Brasília, DF – De acordo com o vice-presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef), Luiz Calado, a estabilidade econômica que se faz presente na vida do cidadão brasileiro é um indicativo de segurança, cada vez maior, para o investimento em imóveis residenciais.
O financista ressalta que a oportunidade é boa, tanto para a aquisição do imóvel residencial para poupança, quanto como fonte de renda. “O imóvel é um ativo que conjuga garantia com rentabilidade de forma constante, além de oferecer uma liquidez relativa, pois sempre haverá compradores dispostos a adquiri-lo”, opina o executivo e reforça: “além do mais, o imóvel é um bem que agrega valor através de gerações”.
Precauções – A propósito da compra do imóvel para investir ou morar, o advogado e especialista em direito imobiliário e do consumidor, Pedro Lessi, diz que o interessado deve adotar algumas precauções, em especial quando se trata de imóvel usado.
No caso de imóvel com mais de vinte anos de construção, a sugestão do advogado é que, na lista de solicitação de documentos, o interessado inclua pedido de certidão vintenária. Além desta, Lessi sugere que sejam solicitadas certidões pessoais de todos os proprietários, ao longo da cadeia sucessória de propriedade. Isto porque, ele reforça, podem ocorrer casos de venda anterior, situação que fará do negócio um caso de Justiça.
Em relação a compra de imóveis novos, de acordo com o alerta do advogado, além de outras precauções o comprador deve verificar se a construtora recolheu a alíquota destinada ao Instituto Nacional de Seguro Social (Inss), referente à obra.
As recomendações de Lessi para as precauções que devem preceder a compra de imóvel novo incluem solicitação da Certidão Negativa de Débito do imóvel; e verificação quanto à regularização da hipoteca do terreno. “O comprador deve sempre desconfiar na hora da compra, mesmo quando a oferta tem a chancela da Caixa”, declarou o advogado à Agência Brasil de Notícias.
Fonte:Imolweb / 18/05/2010
Sam Zell vê Brasil como país para investimentos
Sam Zell, o investidor bilionário que uma vez se classificou como um dançarino em sepulturas em busca de lucros com ativos problemáticos, vê o Brasil como o país número 1 para investimentos hoje no mundo. “Não vejo bolha no Brasil”, disse o investidor, que é o segundo maior acionista da Gafisa. Ele também afirmou que o mercado acionário americano está pronto para estender o maior rali desde os anos 30, à medida que a economia dos Estados Unidos se recupera. ”Se a recuperação continuar e houver menos interferência do governo na economia, será um bom presságio para o mercado melhorar”. A economia americana se expandiu no ritmo mais rápido em seis anos no quarto trimestre, refletindo o forte investimento e a grande contribuição dos estoques. Zell fez fortuna investindo em imóveis e com a venda da empresa Equity Office Properties Trust para o Blackstone Group LP. Ele disse que o mercado imobiliário americano vai começar a se recuperar no fim deste ano e se fortalecer em meados de 2011. Presidente da Equity Residential, Zell disse que os fundos de investimento imobiliário terão caixa para elevar os dividendos no futuro. A Equity Residential reduziu o dividendo de US$ 0,48 para US$ 0,33 no ano passado. “Eu duvido que no futuro próximo será interessante para os fundos reduzirem seu colchão de liquidez”, afirmou quando questionado sobre a elevação do “payout” ao nível anterior. O bilionário espera mais fusões e aquisições no setor imobiliário americano este ano. A batalha pelo General Growth Properties Inc, proprietário de mais de 200 shoppings em Boston e Los Angeles, está se transformando na maior disputa do setor desde a venda do Equity Office Properties. “Eu não me surpreenderia se houvesse mais fusões e aquisições agora do que houve historicamente”, disse Zell.
em 01/04/2010
Imóvel é opção para diversificar a aposentadoria
Investimento pode ser feito em ativo físico ou em produtos financeiros.
Não é de hoje que o investimento em imóveis está entre os preferidos dos brasileiros. A novidade é que, no ambiente em que as pessoas se preocupam cada vez mais com a renda depois da aposentadoria, o segmento imobiliário surge como opção para a poupança de longo prazo.
Especialistas indicam o segmento como uma alternativa para aumentar a renda na terceira idade. Ou seja, não se recomenda que todo o dinheiro seja imobilizado em um imóvel. “A vantagem não está na rentabilidade, pois as taxas de aluguel raramente batem os melhores produtos de renda fixa e previdência. É inegável, porém, o benefício da diversificação proporcionada por uma pequena carteira de imóveis”, avalia o consultor Gustavo Cerbasi.
“No caso de uma crise, o pior efeito é a perda do inquilino, não do patrimônio, enquanto alguns produtos financeiros, quando mal escolhidos, podem trazer até perdas totais.” Atualmente, o aluguel mensal equivale a cerca de 0,5% do valor do imóvel. “Quando o retorno atinge 1%, está super bem alugado”, diz o economista Francis Brode Hesse.
Em termos de valorização, a história tem mostrado que os imóveis também são boa opção. Nos últimos três anos, enquanto o preço dos imóveis avançou 85%, o Ibovespa subiu 47,8%.
Em geral, imóveis pequenos, como salas comerciais e apartamentos de dois dormitórios, são os mais indicados, pois têm três características: oferecem retornos mais atrativos, têm muita procura – não ficam desocupados por muito tempo – e se encaixam na estratégia de diversificação da carteira (por causa do valor).
“A porcentagem de retorno tende a se reduzir em imóveis de valor elevado”, diz o economista Marcos Silvestre. “Para fins de aposentadoria, os imóveis pequenos são mais interessantes, pois permitem redução do custo de vacância”, completa Cerbasi.
O principal risco quando se pensa em imóveis é a liquidez, mas até isso pode se tornar uma vantagem no caso da aposentadoria. “Nessa época, o aposentado precisa de um fluxo de caixa periódico. Não é muito bom que esteja líquido porque pode sofrer assédio de familiares e amigos”, pondera Silvestre.
Alternativa:
Ainda assim, quem teme ficar sem liquidez pode optar pelos produtos financeiros atrelados aos imóveis. “Fundos imobiliários negociados em bolsa de valores permitem que, com um pequeno valor, o investidor consiga aplicar num conjunto de imóveis”, diz o professor da Fipecafi Luís Eduardo Afonso.
Nessa aplicação, por cotas que custam a partir de R$ 1 mil, o investidor recebe mensalmente o rendimento do aluguel proporcional ao número de cotas que possui. “A vantagem é que fundos imobiliários envolvem grandes imóveis, em que a inadimplência tende a ser menor”, diz o sócio do escritório PMKA Advogados Juliano Cornacchia.
“Com uma quantia pequena, compra-se um pedaço de um grande imóvel”, acrescenta. Outro benefício é a isenção de Imposto de Renda para as pessoas físicas.
Quem fizer a opção por um imóvel físico deve saber que algumas questões devem ser observadas. Entre elas, as despesas de condomínios e impostos. “Geralmente, elas são de responsabilidade de do locatário. Mas, se ele deixa de pagar, o imóvel será onerado. Quem sairá perdendo é o proprietário”, aponta Cornacchia. A recomendação é de que esses custos sejam acrescidos ao valor do aluguel, mas pagos pelo próprio dono do imóvel.
“Despesas extraordinárias, como a ampliação da infraestrutura do condomínio, também são de responsabilidade do proprietário”, explica o advogado.
Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios
O Estadão.com.br
É hora de preparar o Minha Casa, Minha Vida 2
“Estamos no momento exato de aperfeiçoar o PMCMV para que se possa em suas próximas fases ofertar mais do que um milhão de novas moradias ao ano”.
- Sempre defendemos uma perene política habitacional de Estado, não de governo. Coerentes com essa premissa, consideramos que está na hora de preparar a segunda etapa do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV).
Em termos gerais, a primeira fase do programa caminha com sucesso. Dificuldades operacionais estão sendo paulatinamente vencidas, mesmo as de ordem urbanísticas, as quais ainda são muito grandes em cidades como a capital paulista, onde os resultados estão aquém dos esperados.
Até o momento, a Caixa Econômica Federal contratou, em âmbito nacional, cerca de 300 mil unidades no PMCMV e poderá chegar ao final deste ano ou início de 2011 com o total anunciado de um milhão de moradias.
Estamos aprendendo no processo, identificando problemas e possibilidades de solução. Diante dessa experiência, fica evidente que a continuidade do programa depende de quatro vertentes indispensáveis:
1- recursos permanentes para garantir a produção de unidades;
2- segurança jurídica e efetividade das instituições, sem o que não há como se enfrentar o risco de produzir e adquirir imóveis;
3- fortalecimento das empresas e maior qualidade dos produtos, inclusive no concernente aos quesitos de sustentabilidade;
4- melhor urbanismo para resolver incompatibilidades como a inaceitável distância entre a habitação e o emprego.
Sobre este quarto item, um dado merece destaque: no centro da cidade de São Paulo existem 40 empregos para cada moradia; no bairro de Itaquera a relação é de 20 moradias para cada emprego.
Estamos no momento exato de aperfeiçoar o PMCMV para que se possa em suas próximas fases ofertar mais do que um milhão de novas moradias ao ano. A meta de todos nós é zerar o déficit habitacional e proporcionar um teto digno para os brasileiros.
*João Crestana é presidente do Secovi-SP e da Comissão Nacional da Indústria Imobiliária da CBIC.
Fonte:Imolweb / 08/02/2010
A reviravolta do mercado imobiliário
*Celso Petrucci
”Cadeia produtiva da construção civil que vinha trabalhando há muitos anos somente no mercado de classes média e alta, rapidamente vem se adaptando à nova realidade da demanda”.
05/01/10 – O ano de 2008 não pode ser esquecido pela crise global provocada a partir da quebra do Lemann Brothers em agosto do ano passado. Mas para nós que vivemos da indústria imobiliária o fato tem de ser lembrado, porque somente as aplicações com recursos da caderneta de poupança atingiram R$ 30 bilhões, ou seja, dez vezes mais que o volume das aplicações do ano de 2004.
Porém, se tudo ia bem anteriormente à crise com os produtos imobiliários destinados às classes média e alta, o segmento econômico ainda estava “engatinhando”, com algumas poucas empresas desenvolvendo novas marcas e produtos para, futuramente, atenderem as famílias de baixa renda. Foi aí que tudo aconteceu.
No dia 25 de março, no Palácio do Itamaraty, o presidente Luís Inácio Lula da Silva e a ministra Dilma Rousseff anunciaram o “Minha Casa, Minha Vida”, com a promessa de que o programa entraria em operação apenas 20 dias depois.
Tendo como premissas a inclusão social, por meio do acesso à casa própria por famílias de baixa renda, e a função anticíclica, com geração de empregos e renda propiciados com o aumento do investimento na construção civil, o governo federal merece elogios. O programa é simples, transparente e aproveitou todas as ideias exaustivamente debatidas por especialistas em habitação no País.
O programa prevê a construção e aquisição de um milhão de unidades para famílias com renda de até dez salários mínimos, das quais, 400 mil unidades destinadas a famílias com renda de até três salários mínimos e com direito a subsídios. A novidade foi a disposição de o governo federal “separar” mais de R$ 30 bilhões nos anos de 2009 e 2010 para subsidiar quase totalmente essas unidades, criar um Fundo Garantidor para reduzir os prêmios de seguro e assegurar, assim, o pagamento das prestações de compradores que possam ficar desempregados durante o financiamento.
Seis meses após seu lançamento, os resultados são incontestáveis. A indústria da construção civil e imobiliária já cadastrou mais de mil empreendimentos na Caixa Econômica Federal, totalizando aproximadamente 400 mil unidades. A instituição financeira, até o final de outubro, contratou o equivalente a 100 mil financiamentos de empreendimentos que serão destinados às faixas de até 3 salários mínimos, de 3 a 6 salários mínimos e de 6 a 10 salários mínimos, além de unidades novas que ficaram prontas após abril de 2009 e se enquadram no programa.
Esses números deixam claro que a cadeia produtiva da construção civil que vinha trabalhando há muitos anos somente no mercado tradicional (classes média e alta), rapidamente vem se adaptando à nova realidade da demanda, a chamada classe “emergente”, e respondendo prontamente ao chamamento governamental para o segmento econômico.
Reconhecemos que muito ainda tem de ser feito quanto às novas tecnologias de construção, à redução do ciclo produtivo, a maior participação dos níveis estaduais e municipais de governo, à quebra da resistência dos cartórios e até mesmo o aprimoramento da governança corporativa das empresas construtoras e incorporadoras que trabalham no segmento econômico.
Porém, uma coisa é certa, o Brasil inicia um processo experimentado em outros países da América Latina, tais como Chile e México, e sempre poderá se espelhar nessas iniciativas para acertar mais e errar menos. Esse efetivamente é o desejo de todos que se prestam à causa habitacional.
*Celso Petrucci é economista-chefe do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), diretor-executivo da vice-presidência de Incorporação Imobiliária do Sindicato e membro titular do Conselho Curador do FGTS.
Imóveis E As Boas Apostas Para 2010

Para especialista, 2010 será um ano extraordinário para o investimento em imóveis e para quem deseja comprar para uso próprio.
José Roberto de Toledo*
13/12/09 – A virada de um ano é sempre momento de reflexão. Hora de fazer um balanço do que se passou ao longo dos últimos 12 meses, de celebrar acertos, corrigir equívocos, rever projetos e fazer planos para o futuro, para a vida pessoal, profissional ou financeira.
Para muitos, este planejamento passa pela compra de um imóvel, pela mudança para uma moradia maior ou melhor localizada, ou por investimentos mais rentáveis e seguros. Não são, absolutamente, decisões fáceis, e por isso mesmo devem ser tomadas com toda a tranqüilidade, após minuciosa análise do mercado, das ofertas e das possibilidades envolvidas.
O ano de 2009 começou sob forte turbulência econômica mundial, inclusive no Brasil, após a crise do setor imobiliário que atingiu os Estados Unidos. As incertezas de lá contaminaram as análises feitas aqui, muito embora já naquela época alertássemos que não havia qualquer motivo para pânico, uma vez que a dinâmica do mercado de imóveis norte-americano é muito diferente que a do brasileiro.
Mas crise é crise, e o fato é que as pessoas adiaram decisões, especialmente no início do ano, seja para comprar ou para vender. A oferta de crédito caiu, houve desemprego, mas nada que revertesse a ascensão da numerosa classe C, ávida por consumir e mudar seu padrão de vida. E logo os ventos mudaram, com retomada da atividade econômica.
Em São Paulo, mola propulsora da economia nacional, 2009 foi um ano extremamente rentável para quem decidiu apostar no mercado imobiliário, em razão da queda dos juros, da escassez de imóveis para locação e da franca expansão da rede metropolitana de transporte que vem valorizando inúmeros bairros da capital paulista, entre outros fatores.
Para se ter uma idéia, hoje o rendimento obtido com a locação de um imóvel na cidade de São Paulo pode chegar, em alguns casos, até a 1,2% do valor de venda da unidade, superando a caderneta de poupança e muitos fundos de renda fixa. É o caso, por exemplo, dos imóveis comerciais.
Assim, se o imóvel vale, por exemplo, R$ 200 mil, o rendimento de 1% ao mês dará, ao proprietário, um ganho de R$ 60 mil ao final do contrato, que normalmente é de 30 meses. Sem dizer que a tendência, nesse mercado, é de valorização do patrimônio. O que significa dizer que, ao término da locação, se o dono quiser vender a unidade, certamente receberá um valor maior do que pagou, além do aluguel que obteve em todo este período. E, persistindo as mesmas condições atuais, venderá rapidamente.
Com um mercado imobiliário extremamente aquecido e as projeções otimistas sobre a economia, podemos dizer, sem medo de errar, que 2010 será um ano extraordinário para o investimento em imóveis como fonte de rendimentos seguros e rentáveis, mas também para quem deseja comprar para seu próprio uso, por conta da queda dos juros e a ampliação da oferta de crédito pelos bancos.
Aos que desejam investir em imóveis para obter renda com a locação, algumas dicas são valiosas. É recomendável a contratação de consultoria especializada para dar a devida velocidade e segurança ao processo de intermediação, por meio de correta publicidade para o imóvel, seleção e aprovação de fichas de inquilinos e fiadores, bem como a redação de um contrato que contemple os anseios das partes e a administração da locação.
Acompanhar de perto a situação do imóvel alugado é outra dica aos proprietários que não desejam ser surpreendido com dívidas a pagar ou com problemas estruturais na unidade ao término do contrato de locação. O locador deve estar atento ao recolhimento dos encargos, como IPTU e condomínio, pois a falta de acompanhamento adequado em relação ao pagamento dessas despesas pode trazer sérios transtornos e onerosos gastos ao locador, durante e ao término da locação.
Como todo tipo de investimento, o setor imobiliário exige conhecimento de causa, informação e assessoria técnica para que as decisões sejam tomadas de forma segura e com o mínimo de risco. Para 2010 a expectativa para este mercado é a melhor possível. O imóvel, que sempre representou o chamado “porto seguro” contra as oscilações da economia, agora é, decididamente, uma alternativa sólida de investimento com alto potencial de rentabilidade.
*José Roberto de Toledo, empresário, é diretor da Lello Imóveis e presidente do Grupo Lello.
Imolweb / 12/12/2009
Mixed Use: Uma tendencia para as grandes cidades.
Quinta,03 de dezembro 2009.
Os grandes projetos de uso misto (Mixed Use) têm despontado como uma forte tendência no mercado nacional, atraindo inúmeros interessados nesse tipo de produto. Combinando os diversos usos em um único espaço, integrando moradia, lazer, trabalho e compras, os projetos Mixed Use também se apresentam bastante rentáveis para investidores e administradores, devido justamente a essa diversidade de produtos, desenvolvidos dentro de uma grande área, onde os incorporadores podem ter total controle sobre essa implantação e seu incremento ao longo do tempo.
Na forma de grandes condomínios, que têm movimentado o mercado, estes projetos também têm caído no gosto do público que busca essa diversidade e, principalmente, fugir das mazelas das grandes cidades, como insegurança e trânsito caótico.
Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, onde estes projetos estão mais presentes, está clara a preferência por estes empreendimentos justamente em contraponto aos problemas urbanos que afligem os cidadãos dessas metrópoles.
Em que pese o argumento de alguns urbanistas que contestam a eficácia desse tipo de empreendimento, considerando-os desagregadores do tecido urbano da cidade, o fato é que está cada vez mais atrativa ao grande público essa característica de congregação de todos os usos a que o morador precisa para o seu dia-a-dia, num espaço que ele possa percorrer em poucos metros, e com isso economizar muito do tempo que seria gasto em deslocamentos pelas ruas congestionadas das nossas cidades. O que não desobriga que nossas autoridades municipais se concentrem em conseguir pensar soluções para a questão da mobilidade urbana, hoje com certeza, o maior mal que aflige as grandes metrópoles nacionais.
Além da sobrecarga do sistema viário das cidades, também convivemos com a questão da dificuldade de encontrar vagas de estacionamento em vários pontos de São Paulo, por exemplo. A grande concentração de edifícios comerciais, com insuficiente estrutura de transporte público, e a pouca oferta de vagas de estacionamento, em parte causada por deficientes legislações, em parte por não contarmos ainda com uma eficiente parceria entre a iniciativa privada e o poder público nessa questão, também têm contribuído em muito para piorar o tráfego em grandes bolsões do centro expandido de São Paulo. E essa situação certamente se repete nos centros mais consolidados das principais cidades do Brasil.
Se os projetos Mixed Use são uma tendência que veio para ficar, também temos de trazer para o centro das discussões, a questão da mobilidade urbana. Essa sim, mais que uma tendência, uma necessidade prioritária.
(Romeu Chap Chap para Revista Vida Imobiliaria)
Gary Garrabrant: Construção Civil deve crescer por 10, 20 anos
Nos últimos meses, o Brasil passou a ocupar a maior parte da agenda do executivo americano Gary Garrabrant. Com negócios em dez países, é para o País que sua empresa de investimentos imobiliários Equity International, fundada ao lado do bilionário Sam Zell, está voltando suas forças. Além de deter participações em companhias como Gafisa, BRMalls e Bracor, o fundo comprou em março 4,86% das ações da Tenda. Agora, anuncia planos de expandir sua atuação no setor, com a criação de uma empresa de financiamento imobiliário. A ideia é aproveitar o possível “boom” do crédito imobiliário no País, com a queda da taxa básica de juros (Selic) e do crescimento da demanda por imóveis populares. Segundo Garrabrant, que desde 2006 é também o presidente do conselho de administração da Gafisa, as conversas com parceiros locais estão em andamento, e o anúncio do novo empreendimento pode ocorrer ainda este ano. “A oportunidade é imensa nessa área”, diz. A seguir, leia os principais trechos da entrevista concedida pelo executivo:
O que tem levado sua empresa a investir no Brasil?
Estamos entusiasmados com o Brasil por muitas razões. A escala do País, o tamanho da população, a juventude da população, o crescimento da classe média são algumas delas. No setor imobiliário, o Brasil é uma das estrelas. Pode haver 10 ou 20 anos de crescimento. Estou bastante animado com as possibilidades no setor de construção, porque a demanda é enorme, a população é jovem, as pessoas entendem a importância de ter sua própria casa, e isso impulsiona outros setores, como o varejo. Também estamos pensando em negócios financeiros, que estão conectados ao segmento habitacional. Há muito a fazer.
O programa Minha Casa, Minha Vida tem mexido com o setor. Qual sua avaliação sobre o projeto?
Estamos muito otimistas sobre o programa. Há o início de um esforço de organização. O governo brasileiro manteve a Caixa Econômica Federal operando por muito tempo sem a devida compreensão sobre a distribuição das hipotecas. Acredito que o programa representa uma forte demonstração de realizar essa distribuição em escala. Com esse compromisso, o programa do governo pode funcionar.
O programa já está andando?
Sim, está andando bem e estamos otimistas com ele. Acredito também que vai haver muito interesse dos bancos comerciais nesse setor. As pessoas pensam que habitação popular é assunto apenas do governo, mas isso não é verdade. As ramificações vão muito além. Do lado dos bancos, é um bom negócio. A hipoteca acaba levando a outros produtos.
A Equity International também está interessada nessa área?
É uma de nossas melhoras ideias. A oportunidade é imensa na área de financiamento imobiliário, seja comercial ou residencial. O segmento comercial tem tido um desenvolvimento muito lento no Brasil, em boa parte por causa das condições políticas do País, que levou as pessoas a evitar assumir riscos. Os proprietários de imóveis como hotéis, escritórios e shopping centers focaram suas finanças no curto prazo, e muito raramente no longo prazo. Acredito que vai ocorrer uma ruptura e as pessoas vão reconhecer o valor a longo prazo desses empreendimentos. Nossa ideia é capitalizar esse momento, de uma forma organizada e em escala.
É um projeto para este ano ainda?
Tenho esperança que sim. Mas é prematuro dizer. Temos de achar o parceiro certo. Estamos conversando com os melhores da área financeira. Do nosso lado, levamos o dinheiro e expertise, principalmente no setor imobiliário.
Que outros setores vocês tem olhado, além do imobiliário residencial?
É um momento interessante para se estar na área de varejo. Os shoppings são um importante elemento do estilo de vida do brasileiro. As pessoas se encontram ali, tomam café, passeiam, jantam. Então, acho que há uma grande oportunidade de profissionalização nos imóveis para o varejo. Outra área que deve crescer são os imóveis para grandes redes varejistas e supermercados.
Há empresas dessa área sendo avaliadas?
Estamos sempre olhando. O setor de varejo tem grandes oportunidades no Brasil. E é um setor novo. Há poucos players, a maior parte de propriedade de indivíduos ou famílias. Vimos isso nos EUA também. Nos anos 70 e 80, havia grandes personalidades no setor de varejo. Com o tempo, isso deu lugar a uma maior profissionalização.
O Brasil tem sido apontado como o país emergente mais promissor. Isso ocorre por causa da crise ou o País é uma boa oportunidade por suas próprias características?
Temos dito há algum tempo que o Brasil é nosso país número um para investimentos. Chegamos a essa conclusão antes da crise. Apesar das peculiaridades de cada setor, há características aqui relacionadas às pessoas. Temos encontrado aqui pessoas apaixonadas, empreendedoras, inteligentes. É um bom lugar para se estar.
O início da crise financeira ocorreu nos Estados Unidos, com o estouro da bolha do subprime. No Brasil, estamos vivendo o que pode ser o primeiro passo de um boom no financiamento imobiliário. O que pode ser feito aqui para evitar que o mesmo problema ocorra aqui?
Os Estados Unidos, nos últimos 25 anos, adotaram uma cultura de negócios dependente desse capital. A tecnologia criada pelos bancos de investimentos e outros competidores dessa área era, de certa forma, boa demais. Eles eram talentosos demais. E, como resultado, muitos países, liderados pelos EUA, tiveram acesso a esse capital de uma maneira maior do que era necessário. No Brasil, há um longo caminho a percorrer, pois é pequena a parcela da população com casa própria. Outro ponto positivo é que o País sobreviveu a múltiplas crises ao longo de décadas. Com isso, há prudência no “DNA” do Brasil. Minha preocupação é, sim, com o capital especulativo. Somos cuidadosos em como investir. Mas muitas pessoas não.
Antes da crise, o setor imobiliário brasileiro viveu uma avalanche de IPOs e lançamentos. Quais foram as consequências dessa euforia?
Muitas das empresas que fizeram IPO têm apresentado números ruins. Elas não foram capazes de preencher suas responsabilidades, não administraram bem as expectativas. Essas companhias pensaram que o IPO era o fim, mas ele é o começo da jornada. A Tenda é um exemplo. Se tornou pública, e não teve um bom desempenho. A Abyara é outro exemplo.
O que a Tenda tem feito para reparar isso?
O que fizemos foi mudar completamente a direção da empresa. Aplicamos a disciplina da Gafisa em várias áreas, como engenharia, construção, gerência de projetos. A reunião do conselho (de administração) da Tenda hoje é como se fosse a da Gafisa. É isso é positivo, porque há um bom casamento ali.
Quem é: Gary Garrabrant
É presidente e um dos fundadores da Equity International, empresa de investimentos imobiliários que tem operações em 10 países
No Brasil, ele preside o Conselho de Administração da construtora Gafisa
Seu sócio na Equity International é o megainvestidor Sam Zell, um dos homens mais ricos do mundo.
Fonte: globo.com

