Lar de Gaúcho:Ao Gosto do Freguês

Preço, tamanho e localização são itens fundamentais para definir a compra de um imóvel. Mas existem várias outras características, muito mais subjetivas, que ganham ou perdem importância conforme os hábitos culturais de cada região. Se os gaúchos, por exemplo, não abrem mão da churrasqueira, os paulistas fazem questão de mais de uma vaga na garagem e os cariocas valorizam bons sistemas de segurança.

O arquiteto Osvaldo Luiz Silva, que em sua tese de doutorado comparou os atributos mais apreciados num apartamento pelos consumidores do Rio e de São Paulo, diz que logo outro item será decisivo:

– Está bem próximo o dia em que a certificação de prédio verde influenciará o valor dos imóveis.

ZH Dinheiro / 25/10/2009

Publicado em:  on Outubro 26, 2009 at 11:34 am Deixe um comentário

Lar de Gaúcho:Cama, Mesa e Banho

Em busca de mais espaço e segurança para as crianças brincarem, Gerson Matos dos Reis, 36 anos, e Marilena Silva e Silva, 35 anos, decidiram se mudar de uma casa para um apartamento em um condomínio ainda em construção na zona norte da Capital. Com dois filhos, de oito anos e de 11 meses, a opção foi por um imóvel de três dormitórios. O apartamento tem dois banheiros, uma sacada aberta que pretendem fechar para aumentar o living e cozinha americana.

– A cozinha americana amplia o ambiente e dá uma melhor visão da sala. Dois banheiros possibilitam mais privacidade. Um acaba sendo o social e o outro, mais reservado – diz Marilena.

A estrutura com piscina, playground, quadra de esportes, espaço gourmet e sala de ginástica oferecida pelo condomínio também atraiu o casal. O apartamento adquirido tem apenas uma vaga na garagem. Como a família tem dois carros, dois boxes seriam o ideal, mas o problema foi minimizado pelo fato de Gerson ser dono de uma revenda de automóveis a 600 metros do futuro lar.

ZH Dinheiro / 25/10/2009

Lar de Gaúcho:Opções ao Ar Livre

Se a metragem é cada vez menor, aumenta a busca por espaços de lazer comuns como forma de amenizar a vida encaixotada dos apartamentos. Hoje, além de segurança, o condomínio deve oferecer um bom salão de festas, sala de ginástica, quadras de esportes, brinquedoteca ou espaços para as crianças correrem com liberdade.

– As pessoas não estão mais preocupadas com o lugar (bairro) onde vão morar, e sim que tipo de vida vão levar – sustenta Gustavo Kosnitzer, gerente regional sul da construtora Rossi.

O diretor comercial da Goldsztein Cyrela, Ricardo Jornada, brinca que os condomínios devem ter estrutura para os “três Cs”:

– Criança, cachorro e carro.

Segundo Carlos Alberto Aita, ex-presidente do Sinduscon-RS, também é grande a procura por prédios com muitos apartamentos para diluir os custos do condomínio. Kosnitzer considera curiosa a importância conferida pelos gaúchos à opção de piscina, mesmo que o clima permita o uso poucos meses do ano.

– A piscina é mais contemplativa, mas os gaúchos gostam.

ZH Dinheiro / 25/10/2009

Lar de Gaúcho:Duas Vagas na Garagem

O explosivo aumento da frota brasileira de automóveis não causa transtornos apenas no trânsito das grandes cidades. É cada vez maior a procura por prédios que ofereçam pelo menos duas vagas na garagem. Segundo Paulo Roberto Silveira, diretor-presidente da construtora Arquisul, o espaço para mais de um carro pode ser o diferencial para a escolha entre um imóvel e outro. Gustavo Kosnitzer, gerente regional sul da Rossi, estima que um box chega a custar 15% do valor do apartamento.

O Sinduscon-RS negocia uma saída que pode diminuir o problema. Conforme Carlos Alberto Aita, ex-presidente da entidade, a proposta é alterar o regime de altura dos prédios previsto no Plano Diretor de Porto Alegre, que deixaria de contar, no caso do número máximo de andares, os pavimentos utilizados como garagem.

– Com mais vagas por apartamento, o morador também poderia alugar uma delas para vizinhos de outros prédios, o que diminuiria o número de carros estacionados na rua ou em garagens privadas – afirma Aita.

ZH Dinheiro / 25/10/2009

Lar de Gaúcho: Querência Moderna

A infalível churrasqueira foi parar na cozinha, que virou americana e liberou a sacada, agora integrada de vez à sala.A busca por conforto, espaço e privacidade está mudando as feições dos apartamentos dos gaúchos.Não é novidade que, mesmo morando empoleirado, o gaúcho considera a churrasqueira um item imprescindível. Mas o hábito arraigado de assar a carne aos domingos com a família está mudando de lugar. Manejar os espetos na sacada no apartamento agora só é comum em prédios construídos há mais de cinco anos. Nos empreendimentos mais recentes, a ordem é evitar pingos de gordura no chão da sala. O jeito foi acomodar a churrasqueira mais perto da cozinha.

A realocação da churrasqueira está relacionada a uma mudança na legislação da Capital do início da década, que passou a permitir sacadas integradas à sala, hoje uma característica predominante nos prédios novos. A mudança veio a reboque da iniciativa dos moradores, que começaram a fechar esses espaços por conta própria para ampliar o living e, ao mesmo tempo, protegerem-se do clima frio e ventoso do inverno do Estado.

Pesquisa do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS) mostra que, nos últimos 12 meses, os apartamentos de três dormitórios representaram 41,79% dos imóveis novos vendidos na Capital. A faixa de preço entre R$ 143 mil e R$ 242 mil respondeu por 39,13% dos negócios.

Conforme executivos de construtoras apontadas pelo mercado como as principais que trabalham com imóveis desse valor, a busca por novos espaços mudou as características do apartamento do gaúcho nos últimos anos. Em busca de conforto e privacidade, por exemplo, uma exigência básica do comprador é ter dois banheiros, sendo um no quarto de casal, enquanto o segundo deve ser pelo menos um lavabo.

O diretor-presidente da construtora Arquisul, Paulo Roberto Silveira, diz que uma demanda crescente é pelo quarto principal não tão pequeno.

– No dormitório do casal, sentimos a necessidade de um closet ou lugar para um armário espaçoso – explica Silveira.

Os outros dois quartos permanecem espremidos na área total da unidade, que pode variar de 65 m2 a até 100 m2 de área privativa.

– Os apartamentos de três quartos têm hoje a metragem que antes tinham os de dois – resume o vice-presidente de comercialização de imóveis do Sindicato da Habitação do Estado (Secovi-RS), Gilberto Cabeda, lembrando que este ano os imóveis usados de três dormitórios também desbancaram os de dois como líderes em oferta na Capital.

O terceiro dormitório pode ter outra função, tendência decorrente da redução do número de pessoas nas famílias. Segundo Silveira, a peça pode servir também como home theater, gabinete ou ter a parede derrubada para aumentar o living.

– O terceiro quarto é a peça coringa – observa Gustavo Kosnitzer, gerente regional sul da Rossi.

Segundo a arquiteta Fernanda Duré, cresce, entre aqueles que não utilizam o terceiro quarto como dormitório, a tendência de abrir a parede e integrá-lo à sala como um home office, mas que pode ser fechado com painéis ou porta de correr no caso de se receber um hóspede.

– Como os apartamentos não são grandes e as famílias estão menores, busca-se maior amplitude dos espaços – diz Fernanda.

O diretor de comercial da Capa Engenharia, Luiz Antonio Saldanha, nota que até o avanço dos laptops sobre os tradicionais desktops influencia o novo desenho do apartamento dos gaúchos.

– O webspace está caindo em desuso. Hoje, todo mundo tem um notebook que pode abrir em qualquer lugar da casa – ressalta Saldanha.

A tendência de comprimir os espaços e a procura por funcionalidade segue na área de serviço, onde há lugar apenas para o tanque e a máquina de lavar. E passa para a cozinha, já que é cada vez mais raro a família se reunir para as refeições. Com isso, cresce a inclinação pela cozinha tipo americana, que dá a sensação de ambiente ampliado. Como a gastronomia se transformou em sinônimo de lazer, facilita o contato com a sala quando se recebe um pequeno grupo de pessoas.

– De uns cinco anos para cá, caiu a resistência que o gaúcho tinha pela cozinha americana, que já era algo consolidado em São Paulo e no Rio. E naquelas cidades, a churrasqueira, que não era uma exigência, passou agora a ser. Houve este intercâmbio cultural – ressalta o diretor comercial da Goldsztein Cyrela, Ricardo Jornada.

Outro detalhe valorizado é a orientação solar. A preferência é pela frente norte, que recebe maior incidência de sol, um artigo precioso nos chuvosos e cinzentos dias de inverno. Para os dormitórios, também existe o gosto pelo leste. Calcula-se uma diferença de 5% no preço de apartamentos iguais, no mesmo andar, conforme a orientação solar.

Carlos Alberto Aita, ex-presidente do Sinduscon-RS que recém encerrou a segunda gestão à frente da entidade, diz que as características também são válidas no Interior, com a diferença de que nas cidades menores há oferta de áreas mais extensas, o que permite construções com metragem maior.

caio.cigana@zerohora.com.br
CAIO CIGANA
ZH Dinheiro /25/10/2009