O Dono dos “Prédios Verdes”

Luiz Fernando Lucho do Valle

Luiz Fernando Lucho do Valle


Luiz Fernando Lucho do Valle, um engenheiro civil, gaúcho de 53 anos, até os 49 usufruía de uma carreira de destaque em empresas como Rossi, Encol e Atlântica e de uma experiência de 29 anos. Mas, ainda havia algo que Valle julgava precisar fazer em prol da sociedade.

Foi assim que depois de um período de reflexão e pesquisas incansáveis, nasceu a idéia de se construir prédios sustentáveis, com vários diferenciais “verdes”, algo que ainda não existia no mercado imobiliário e ao qual ele se dedica ao máximo desde 2004. Fruto de um posicionamento pessoal do seu dono, a Ecoesfera é uma das empresas que mais cresce no mercado imobiliário brasileiro. O sucesso veio, não só no desempenho financeiro da Ecoesfera. Em 2006, Valle vendeu R$30 milhões e, em 2007, R$195 milhões. Os números chamam a atenção para o empreendimento e seu dono. O dono dos prédios verdes é um empresário preocupado sinceramente com as questões ambientais e um homem de poucos sorrisos, mas não menos agradável. A seriedade de Valle transparece não só no seu discurso, mas também no seu entorno. O escritório do grupo de construção civil fica na Vila Olímpia, em um belo edifício que também recebeu certificação verde e une bom gosto, sobriedade e, claro, material como madeira certificada. Ali tudo lembra a vontade férrea do seu dono em fazer crescer com transparência os seus prédios verdes. Chamados de Ecolifes, os tais edifícios foram planejados para que os recursos naturais sejam otimizados. Assim, a alvenaria é estrutural, ou seja, só se usa madeira nos acabamentos, produzindo o mínimo de entulho, economizando matéria-prima, entre outras vantagens. Além disso, há 16 itens de reciclagem e medidas sustentáveis adotadas pelo Grupo Ecoesfera, durante a vida útil da edificação, tais como pomar e herbário, coleta de lixo seletiva, sensores de presença, tratamento de esgoto, com reuso da água, captação e reuso da água de chuva, aquecimento de chuveiros a gás, energia solar, medidores de consumo individuais, elevador ecológico, enfim, a lista de diferenciais verdes é grande. Pensando grande, o engenheiro Luiz Fernando ampliou seu negócio inicial e hoje o grupo é composto de incorporadora, construtora e imobiliária. E tudo tem a mão e o toque do seu dono. O empresário se interessa por todos os detalhes e faz questão que tudo reflita bom-gosto. “Eu quero fazer uma indústria de ternos Vila Romana em termos de edifícios: produtos de qualidade, a preço acessível e de bom gosto”, diz Valle. A importância da beleza da forma ele adquiriu desde o início de sua carreira profissional quando foi proprietário de uma confecção de moda infantil e também ao criar marcas de produtos imobiliários de sucesso tais como o Plano 100, Vida Nova e Neo. Tais experiências lhes deram o senso estético necessário para construir belos edifícios. E também um senso de oportunidade para reformular sua vida profissional e pessoal que, bem sucedidas, hoje o tornam um exemplo para o mercado e para gerações futuras.
Fonte: www.vidaimobiliária.com

Publicado em:  on Novembro 13, 2009 at 9:21 pm Deixe um comentário

Rio de Janeiro: Para Conceder Habite-se, o Plantio de Mudas

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A prefeitura decidiu exigir no momento da concessão do habite-se de novas construções uma contrapartida ambiental em forma de mudas de espécies da Mata Atlântica. Essas mudas serão usadas nos programas de reflorestamento da Secretaria municipal de Meio Ambiente. As regras, que entraram em vigor ontem, fazem parte do legado ambiental proposto ao Comitê Olímpico Internacional (COI) como parte da organização das Olimpíadas de 2016. A ideia é que o plantio das mudas compense a emissão de gases do efeito estufa produzidos pelo deslocamento de materiais para o canteiro de obras, dos resíduos da construção civil e do movimento da terra.

O secretário municipal de Meio Ambiente e viceprefeito, Carlos Alberto Muniz, disse que, como política sustentável, é inédita no Brasil. A contrapartida ambiental será exigida em todos os projetos a partir de 180 metros quadrados de área construída.

O empreiteiro terá que fornecer uma muda a cada 60 metros quadrados construídos acima dos 180 metros quadrados. Com base nas licenças emitidas pela Secretaria municipal de urbanismo, a estimativa é que a prefeitura receba cerca de 72 mil mudas por ano. Boa parte delas será usada no reflorestamento do Parque Estadual da Pedra Branca, que tem uma de suas vertentes nas vizinhanças da região da Barra da Tijuca, onde estarão concentradas boa parte das provas olímpicas.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil, Roberto Kauffmann, elogiou a medida. Mas ele disse que outros mecanismos poderiam ser aplicados como contrapartidas ambientais. E cita como exemplo, projetos que prevejam a reciclagem de água das chuvas ou que favoreçam a iluminação natural.

O secretário, por sua vez, argumenta que essa implantação não seria viável neste momento.

“Se criássemos mais exigências isso poderia dificultar muito o processo de habite-se. Essa é uma medida simples e fácil de ser entendida”, justificou o secretário.

Fonte G1 / 07/11/2009

Publicado em:  on Novembro 7, 2009 at 7:20 pm Deixe um comentário

Viável e lucrativa: uma visão sobre a construção sustentável

Beija Flor

Beija Flor

Em artigo, consultor de Desenvolvimento Urbano da Ademi/RJ defende os “prédios verdes”.

David Cardeman*

30/09/2009, Rio de Janeiro, RJ – Nosso ponto de partida: existem no Brasil 119 projetos de edifícios pleiteando certificados de sustentáveis. No Rio são apenas 13, e comerciais em sua grande maioria. Do ponto de vista do número de empreendimentos, o impacto da certificação é pequeno e não responde na mesma proporção dos efeitos da construção civil no meio ambiente. De acordo com o Green Building Council (GBC) Brasil, a construção civil responde por um terço das emissões gases que contribuem pro aquecimento global no mundo.

Mercado dos verdes no Rio de Janeiro: Mesmo assim, já é possível observar alguma tendência na expansão desses empreendimentos. Os prédios verdes podem ser uma aposta para o mercado imobiliário do Rio. Os cariocas, em geral, têm um engajamento político e ecológico expressivo, até por morar numa cidade que tem belezas naturais a perder de vista. Isso se refletirá, em alguns anos, em hábitos de consumo mais sustentáveis.

Ecologia e Economia: A sustentabilidade tem relação direta com a economia, mas essa relação ainda é obscura para os consumidores. Em geral, tende-se a pensar que um prédio verde é muito caro. Mas o fato é que o encarecimento só existe na construção, que pode custar apenas de 5% a 10% a mais que o valor de um prédio sem qualidades sustentáveis.

Isso varia de acordo com o grau de sofisticação. Placas solares, por exemplo são mais caras que o telhado verde. Mas somente com a adoção de práticas sustentáveis de conservação e uso racional no setor da construção civil é possível reduzir entre 30% e 40% o consumo de energia e de água. Ou seja, há uma grande economia de custo de uso e operacional depois, o que reduz consideravelmente até o valor dos condomínios.

À primeira vista, essa relação entre construção civil, mercado imobiliário e conceitos de sustentabilidade não parece tão óbvia. Porém, a construção ecológica é viável, lucrativa e geradora de diferenciais de venda. Isso tudo é possível preservando o meio ambiente e a qualidade de vida, para geração de agora e a do futuro. Sem contar que a qualidade de ecológico de um imóvel já é (ou será?) diferencial de venda no mercado imobiliário.

Dados do GBC Brasil mostram que em dez anos um imóvel sustentável pode ter uma valorização 20% maior do que outros empreendimentos (convencionais) numa mesma região.

Cidade Sustentável e Qualidade Vida: Uma cidade com boa qualidade de vida e [Indice de Desenvolvimento Humano (IDH) alto não é necessariamente uma cidade sustentável. Já uma cidade sustentável implica boa qualidade de vida e desenvolvimento humano. Para (a cidade) alcançar o status de sustentável é imprescindível uma mudança cultural do poder público, da sociedade civil e das empresas privadas.

O que falta é uma visão sistêmica da sustentabilidade, com foco no setor da construção civil e suas interrelações com a indústria de materiais de construção, o setor financeiro, o governo e a sociedade civil.

O que falta para as empreitadas verdes deslancharem por aqui: Para os empreendimentos verdes deslancharem, duas coisas são necessárias: conscientização pública e mudança de cultura. Em geral, os empresários do setor já se mobilizam nesse sentido, mas faltam políticas públicas de incentivo a esse tipo de construção, que poderiam ocorrer a partir da redução das taxas de impostos para quem faz obras desse tipo.

*David Cardeman é arquiteto. Artigo originalmente publicado em: www.ademi.webtexto.com.br

Publicado em:  on Outubro 7, 2009 at 2:06 pm Deixe um comentário

Construtoras investem em empreendimentos que preservem as características da rua


Rio de Janeiro – A arquitetura revela a alma da cidade. Nas fachadas, portas e janelas são guardadas histórias do cotidiano das ruas. As antigas construções do Rio de Janeiro contam parte de sua memória urbana enquanto convivem com prédios modernosos. Pena que sejam poucos os bens tombados. Por este motivo, hoje em dia, quando é prevista a construção de uma nova edificação, num recinto histórico da cidade, é comum o temor de testemunhar a perda de uma atmosfera que não poderá mais ser reproduzida. No entanto, há novos empreendimentos que, inseridos num contexto histórico, procuram integrar o projeto à preservação do patrimônio tombado. Exemplo disso são lançamentos da Calçada e da Concal.

No Renaissance, condomínio lançado recentemente na Tijuca, na vizinhança do colégio Batista Shepard e a Igreja Batista, a Calçada procurou desenvolver um projeto de arquitetura que tivesse a mesma linguagem destas construções tombadas. O edifício, destinado à classe A, terá um total de 56 apartamentos, com três ou quatro quartos. Segundo Danielle Riley, arquiteta responsável pelo projeto, a construtora optou por um projeto que se integrasse harmoniosamente à arquitetura da rua.

“Tivemos a preocupação de fazer um empreendimento moderno com o máximo de sete pavimentos, compatível com o gabarito desta área nobre do bairro. Adotamos um partido arquitetônico que procura se adequar e preservar a arquitetura já existente. Neste sentido, a fachada foi concebida com detalhes que remetem a uma linguagem neoclássica, com frontão, janelas e balcões com alguma coisa de romântico da época”, explica Danielle Riley
Com o bosque privativo, o condomínio traz um jardim tropical com plantas nativas da Mata Atlântica e espaços de lazer. Já em São Cristóvão, bairro que não recebia lançamento há 30 anos, a construtora Concal em parceria com a RJZ/Cyrela entregou o Paço Real, prédio com arquitetura que procura preservar e valorizar a atmosfera especial do lugar.

“O Paço Real é o primeiro edifício pronto de frente para a Quinta da Boa Vista. Normalmente, a empresa desenvolve prédios contemporâneos, com muito vidro e varandas balanceadas. Para serem inseridos nesta área histórica, optou-se por edifícios com fachadas neoclássicas. Para obter uma maior integração à paisagem local, reproduzimos, no alinhamento do terreno, o gradil da Quinta”, diz o diretor de Planejamento da Concal Sergio Conde Caldas.

Os demais lotes remanescentes nos fundos da Quinta da Boa Vista, antes ocupados por construções industriais fechadas, compondo uma atmosfera insegura, escura e murada, darão lugar aos novos edifícios da Quinta do Conde que vão trazer luz e mais vida à região. O empreendimento é da Concal com a MDL Realty.

“O projeto procurou valorizar a paisagem histórica e ambiental. Os lotes, nos fundos da Quinta, que tinham acesso somente por outras ruas, terão a entrada principal de pedestres pela Quinta da Boa Vista. O que era fundo virou frente. Os novos prédios têm 11 pavimentos com apartamentos de dois ou três quartos e banheiros com ventilação natural. Alguns imóveis têm closet. São voltados à classe média, famílias com filhos pequenos. Grande parte dos compradores é morador do próprio bairro”, finaliza Sergio Conde Caldas.
G1 / set/09

Publicado em:  on Setembro 17, 2009 at 12:19 am Deixe um comentário

Sustentável, como deve ser

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Casa sustentável em Cotia, na Grande São Paulo, projetada pela arquiteta Flávia Ralston. O piso de concregrama foi empregado para manter o máximo de área permeável possível (Foto: Zeca Wittner)

Inovação e criatividade para melhorar a qualidade de vida do planeta. Isso é, em síntese, sustentabilidade. E para que uma casa seja construída com base nesse conceito, deve apresentar economia de energia e água, conforto ambiental, reciclagem e reúso de materiais e salubridade – uso de materiais com baixos índices de compostos orgânicos voláteis.

Segundo Paola Figueiredo, diretora do Grupo Sutentax (responsável por projetos de empreendimentos verdes como a agência do banco Real da Granja Viana, em Cotia, e a loja verde Pão de Açúcar), muitos arquitetos e decoradores ainda não sabem o que significa sustentabilidade, apesar de o tema ser cada vez mais usado. “Muito do que se viu na Casa Cor 2009 foi a percepção individual de cada profissional sobre o assunto, como quadro de paisagens naturais e plantas no ambiente”, diz ela, contratada como parceira da Casa Cor este ano para a orientação dos requisitos e critérios de sustentabilidade nas 14 mostras promovidas pelo País.

Apesar do pouco conhecimento sobre o tema, a procura por projetos sustentáveis tem crescido – e os futuros profissionais da arquitetura e do design já se interessam pelo assunto. É o que conta a professora de design da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Maria Cecilia Loschiavo dos Santos, que atua na área de sustentabilidade. “Há 40 anos os jovens estavam organizando Woodstock; hoje estão preocupados com a finitude dos recursos naturais”, afirma. “Há vontade de contribuir com o meio ambiente.”

De acordo com Maria Cecilia, a discussão sobre sustentabilidade está em todas as áreas – da economia à cultura. A arquitetura e a decoração não ficam de fora. Tanto que a 8ª Bienal de Arquitetura, que começa em 31 de outubro, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, dará ênfase a projetos sustentáveis, por exemplo, de moradia para baixa renda. Rosana Ferrari, supervisora geral da Bienal e presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil de São Paulo (IAB-SP), diz que o objetivo é “democratizar o conhecimento” sobre o tema. “O termo sustentabilidade sofre críticas, como se fosse uma coisa pejorativa, mas é importante que o arquiteto incorpore essas questões”, afirma.

O presidente da Casa Cor, Ângelo Derenze, quer que o público da mostra veja o que é sustentabilidade – “seja no piso, na madeira e na procura por produtos corretos”. E vai além: “Quanto mais gente comprar, mais barato o produto deve ficar, e mais populares os produtos ecologicamente corretos se tornarão”.

G1 / Imóveis

Publicado em:  on Setembro 10, 2009 at 2:38 pm Comentários (2)

Tetos e paredes verdes oferecem conforto térmico e reduzem os impactos ambientais

Ecotelhado

Ecotelhado

Rio de Janeiro – Enquanto os ambientalistas buscam alternativas para diminuir os efeitos da poluição e ampliar as áreas verdes nos centros urbanos, uma das soluções sustentáveis pode estar sobre nossas cabeças. O telhado verde é uma opção estética que oferece conforto térmico e reduz os impactos ambientais. Tanto é que foi apresentado este ano um projeto de lei federal no Brasil que estimula a inclusão de coberturas de plantas em cidades com mais de 500 mil habitantes possibilitando a redução da taxa de IPTU. São Paulo também aderiu a medida de estímulo à construção de tetos ecológicos, ao exigir dos novos condomínios com mais de três unidades agrupadas verticalmente a implantação de um telhado verde. Outra alternativa que começa a ser adotada nas cidades é o jardim vertical em paredes externas das construções.

De acordo com o agrônomo João Manuel Linck Feijó, presidente da Associação Telhado Verde Brasil e diretor da Ecotelhado, os revestimentos verdes não são caros e possibilitam fácil manutenção.

“O custo do ecotelhado é equivalente ao preço de um telhado comum. Revestimos a laje plana com plantas rústicas. O peso atual de um teto verde é bastante leve quando feito com uma estrutura adequada. As paredes verdes estão começando também a ser aplicadas nos projetos de edificações. Em Porto Alegre teremos o primeiro projeto com fachada toda verde, feita com trepadeiras sustentadas por aço. Há muitos benefícios nas ecoparedes e telhados. Um deles é o conforto térmico. A cobertura de plantas sobre as superfícies mantém a temperatura sempre agradável. Isso faz com que o morador tenha uma redução de aproximadamente 30% nos gastos de energia”, destaca José Manuel.

Quem quer colocar a idéia em prática precisa contar com mão de obra especializada e infra-estrutura adequada para ter problemas de vazamentos, infiltrações, perda de plantas e de terra pela erosão ocasionada pela chuva. Quanto aos telhados, é importante observar a resistência da estrutura que irá receber a cobertura verde, a sua impermeabilização, o desnível e a declividade da cobertura construída ou a ser construída. A manutenção costuma ser simples e pode ser feita por qualquer pessoa.

Os telhados verdes podem ser impantados na construção em até dois dias
“A arquitetura está se transformando em um excelente aliado do estilo de vida ecologicamente correto. Os telhados verdes, ou como também são chamados de vivos ou ecológicos, são cada vez mais difundidos e utilizados nos projetos. Essa técnica é extremamente simples, consistindo em revestir o telhado com plantas, ao invés de utilizar cerâmica ou cimento. Por garantir grande conforto técnico, esses jardins economizam energia, além de permitir o reaproveitamento da água da chuva”, diz a arquiteta Viviane Cunha, especialista em projetos sustentáveis.

Qualquer região pode implantar um ecotelhado ou parede verde, principalmente as de clima seco, destaca José Manuel. Este tipo de coberta pode ser implantado também em edificações já existentes. Em coberturas com declividades pequenas é mais fácil a implantação que leva de um a dois dias para ficar pronta. Além da forração vegetal, as plantas mais indicadas são as arbustivas com até 1m de altura.

Globo.com

Publicado em:  on Agosto 30, 2009 at 1:49 pm Comentários (5)

Casa de bambu no Parque Estadual da Serra da Tiririca

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Perto da cidade carioca de Niterói, encravada no meio da reserva do Parque Estadual da Serra da Tiririca, está a casa construída com uma técnica ecossustentável ainda incomum na cultura brasileira. No projeto residencial de 255 m2 da arquiteta Celina Llerena, o destaque é o bambu, usado como o principal material construtivo: tanto na estrutura quanto nas divisórias de ambientes, alizares de portas e janelas e das ventilações cruzadas na parte superior da construção.
A estrutura da casa segue um princípio básico de pilares e soleiras. São dois tipos de pilares: os de fechamento que são os suportes para a sustentação das paredes, portas e janelas; e os pilares estruturais, que vão até o telhado, criando uma espécie de esqueleto da casa: são oito pilares estruturais na fachada frontal e oito na posterior, mais dois em cada fachada lateral. Detalhe: tudo de bambu.

As soleiras são peças de amarração que percorrem todo o perímetro da casa, paralelamente ao piso, a uma altura de 2,70 m. Foram desenvolvidas com duas estruturas: a central para a construção das paredes e acessórios, como portas e janelas, e a externa para apoio do beiral. Já as estroncas auxiliam no apoio da cobertura.
Esse sistema permitiu que a casa tivesse um vão livre central de seis metros, unindo a sala de estar e a cozinha.
As estruturas com bambus são leves, resistentes e com características diferenciadas das convencionais. Os bambus possuem feixes fibrovasculares mais concentrados que formam uma fração fibrosa, conferindo à planta elevada resistência mecânica como tração, compressão e flexão dependendo da espécie e idade dos colmos (o tipo de caule).
Nesse projeto, o bambu usado foi o Phyllostachys pubecens, conhecido também como mosso. Diferentemente da madeira, essa planta não possui cerne, por isso em bambus usam-se parafusos, e não pregos. É preciso deixar a base do bambu de 40 cm a 50 cm acima do nível do solo, evitando o contato com a umidade que sobe por capilaridade, além de evitar a incidência direta de sol e chuva com estrutura como beirais. “Não precisa substituir o bambu com o tempo em uma obra bem-feita e coberta”, assegura Llerena.
O projeto, além de ser sustentável, é versátil e de baixo custo. Descartando as formas tradicionais, a fundação da casa foi feita com manilhas, preenchidas com concreto ciclópico e vigas pré-moldadas, que sustentam a laje de piso do projeto. E utilizou, ainda, outros materiais, como as pedras para revestimento de uma das fachadas laterais, e o eucalipto para a rampa de acesso – material especificado por ser mais resistente a intempéries.

As paredes receberam quadros de madeira grampeados com chapas de ferro laminado, nas quais foram aplicadas argamassa com simples desempenadeiras. O resultado é uma parede comum, mas que dispensa o uso de tijolos.

Para completar o caráter ambiental da casa, no telhado foi projetado um jardim. Na cobertura foram instaladas as mesmas chapas de ferro, aparafusadas no próprio bambu, com uma camada de argamassa de 4 cm. O material foi coberto com uma manta com geotêxtil que, por sua vez, foi sobreposta com uma camada de 6 cm a 7 cm de terra. Já com a terra, foram colocados os rolos de gramas e arranjos com bromélias e outras flores de raízes rasas.

A escolha do bambu é ecologicamente correta. Além das poucas exigências do solo, dependendo da espécie e do uso, o bambu, após três anos de vida, permite em média dois cortes anuais e possui um dos mais rápidos crescimentos no reino vegetal. Segundo Llerena, que foca seu trabalho em arquitetura ecológica, “o bambu é autorrenovável e autossustentável, quanto mais se corta, mais fortalece a moita, que cresce sem parar, sem esquecer os critérios de corte e manejo”.

A planta, após ser retirada da mata, deve ser tratada para evitar o ataque de carunchos e fungos. Na obra da casa em Niterói, os bambus passaram por um tratamento químico com solução à base de sal inorgânico, chamado octaborato disodico tetrahidratado. O produto é aplicado por injeção nos entrenós dos bambus, utilizando uma bomba de pulverização agrícola.

FICHA TÉCNICA
PROJETO DE ARQUITETURA Ebiobambu – Celina Llerena

FORNECEDORES
PISO cimento queimado cinza e ladrilho hidráulico 20 cm x 20 cm de demolição
LAJE E VIGAS PRÉ-FABRICADAS Engemolde
SUBMANTA DA GRAMA Vinimanta e geotêxtil Sansuy
EUCALIPTOS TRATADOS LCPederassi
FECHAMENTO DAS PAREDES Permetal (telas Rib-Lath)

Revista au / edição 183/jun 2009

Publicado em:  on Junho 24, 2009 at 2:54 pm Comentários (3)

Dia do Meio Ambiente: Quebrar Paradigmas

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Todos os anos, próximo ao Dia Mundial do Meio Ambiente, vemos uma mobilização da sociedade em torno do assunto. Apresentam-se estudos, projetos e ações que alertam para a necessidade de protegermos o meio ambiente. Essas iniciativas têm a sua importância, porém a história nos mostra que ações isoladas, pontuais e planejadas seguindo a lógica do desenvolvimento a qualquer custo, não resolvem o problema.

Precisamos ir além. Precisamos quebrar paradigmas, criar soluções inovadoras que possam ser disseminadas. Precisamos de indignação, de uma sociedade mais participativa e atuante, de regulamentação e fiscalização efetivas.

Ainda temos a visão de que o desenvolvimento do Brasil está diretamente ligado a obras de infraestrutura pesadas. Prova disso é a proposta da pavimentação da BR 319, que liga Porto Velho a Manaus e atravessa a área mais bem protegida da Amazônia, sem que a realidade regional apresente esta demanda. Com vontade política, a obra poderia ser evitada. Os recursos poderiam ser revertidos em benefício da infraestrutura fluvial ou outra demanda prioritária na região.

É necessário sairmos do discurso simplista e excludente de que a conservação é um entrave para o desenvolvimento econômico. Existem soluções aglutinadoras, que nos permitem, por exemplo, conservar as florestas sem que falte comida. Alguns exemplos são acabar com o desperdício de alimentos e investir em melhorias genéticas e práticas de manejo que aumentem a produtividade em terras agricultáveis.

Outra alternativa é a criação de mecanismos que privilegiem quem preserva, como o pagamento por serviços ecossistêmicos ou ambientais. Essa estratégia parte do pressuposto de que quem protege áreas naturais – sejam eles governos, organizações não-governamentais ou particulares – devem ser reconhecidos. Afinal, toda a sociedade se beneficia dos serviços ecossistêmicos gerados em suas propriedades, como produção de água doce, proteção do solo e regulação do clima.

A Fundação O Boticário de Proteção à Natureza tem um exemplo bem sucedido de aplicação desse mecanismo, o Projeto Oásis, que premia financeiramente proprietários de terras que protegem remanescentes de Mata Atlântica localizados numa região de mananciais da Grande São Paulo e espera poder replicar esta idéia em outros locais.

A adoção de novos modelos que conciliem a conservação da natureza com o desenvolvimento econômico é uma necessidade urgente. No entanto, sabemos que o poder econômico ainda é mais forte em todas as decisões e não podemos ser ingênuos e acreditar que essa lógica vai mudar em curto prazo. O que não é admissível num mundo globalizado é que a sociedade permita que setores, grupos ou indivíduos lucrem em cima da destruição que será paga por todos.

Para que esse poder de controle e cobrança da sociedade seja exercido, precisaremos de cidadãos mais participativos e confiantes. Além disso, é fundamental que existam instrumentos que oferecem à população meios de cobrar ações sustentáveis tanto da iniciativa privada quanto do poder público. Por exemplo, é preciso estabelecer regras para a produção, de modo que todo o ciclo de vida dos produtos seja compatível com a conservação da natureza.

O apoio dos cidadãos à proteção do meio ambiente é essencial, pois a luta contra o poder econômico é desigual. O setor ambientalista é carente de união e recursos para poder se organizar e atuar em tempo hábil. Por outro lado, os setores ruralista, do agronegócio e outros grandes impactantes do nosso patrimônio natural são organizados, têm recursos e assessoria profissional e, portanto, têm facilidade de garantir seus interesses. Por várias vezes vimos um setor inteiro degradando o país sem sofrer qualquer conseqüência. Isso acontece porque ainda falta informação, regulamentação, mas principalmente, porque há impunidade.

Se o Brasil quer ser um player global, terá que rever, necessariamente, seu tratamento à questão ambiental. O primeiro passo é assumir que a conservação da natureza ainda não se encaixa no nosso modelo de desenvolvimento e que essa situação pode sim ser revertida. Só que isso precisa ser feito agora, enquanto ainda há tempo para protegermos pelo menos parte do que resta do nosso rico e exuberante patrimônio natural.

Malu Nunes – engenheira florestal, mestre em Conservação da Natureza e diretora executiva da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza.

Publicado em:  on Junho 5, 2009 at 7:34 pm Deixe um comentário

Urbanismo sustentável em bairro de Florianópolis

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Prédios verdes, calçadas largas e ciclovias fazem parte do projeto de urbanismo sustentável que está sendo desenvolvido no bairro Pedra Branca, em Florianópolis
Ystatille Gondim | Fonte: O Globo

Bairro Pedra Branca tem calçadas mais largas para privilegiar pedestresRio de Janeiro – As calçadas são mais largas para estimular as caminhadas. Já as ciclovias costuram todas as ruelas e avenidas para inibir o uso de carros. Amplas praças, áreas verdes, indústrias não poluentes, prédios verdes e mobiliário ecologicamente correto também compõem o projeto de urbanismo sustentável desenvolvido em Pedra Branca, bairro que começou a ser construído em 2000 na cidade de Palhoça, em Santa Catarina. Com quatro mil habitantes, o local foi selecionado, com outras 15 cidades de diferentes partes do mundo, para o Programa de Desenvolvimento Positivo de Clima, do ex-presidente americano Bill Clinton. Os empreendimentos imobiliários escolhidos investirão esforços para reduzir a quantidade de emissão local de CO2 para abaixo de zero.

De acordo com o diretor de engenharia do bairro, Dilnei Bittencourt, o projeto do novo urbanismo estará todo construído em Pedra Branca em 15 anos. A estimativa é que até lá o bairro, de 250 hectares, abrigue 30 mil habitantes em 2 milhões de metros quadrados. A Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda que as cidades disponibilizem 12 m² de área verde urbana para cada habitante. Atualmente, o Brasil tem 5m² de área livre para cada habitante. A meta do novo urbanismo de Pedra Branca é disponibilizar 25 m² para cada morador.

“O desenho original da Pedra Branca era tradicional. Buscamos em sua concepção atender às quatro funções necessárias para evitar o espalhamento das cidades: moradia, trabalho, lazer e estudo. Isso faz com que o morador tenha no máximo 15 minutos de caminhada, para chegar ao trabalho ou à escola e, em contrapartida, evita o uso do automóvel, responsável pela liberação de 70% do CO2 no planeta. Neste último ano, começamos a implementar a última fase do projeto da Pedra Branca, que tem como uma das principais prioridades, estar voltada para o conceito de sustentabilidade, além de manter a densidade equilibrada, estimular o o senso de comunidade e criar empreendimentos que contemplem moradia, trabalho, lazer e estudo”, diz o diretor de engenharia do bairro, Dilnei Bittencourt.

Áreas verdes fazem parte do projeto de urbanismo sustentável de Pedra BrancaO projeto de urbanismo sustentável, criado por uma equipe especializada em planejamento urbano e com consultoria do arquiteto Jaime Lerner, contará com arborização, piso elevado nas travessias para permitir o fácil trânsito de pedestres e drenagem para garantir ao local rápida secagem e a recarga do lençol freático.

“As cidades normalmente apresentam um rebaixo a partir do meio fio, entre a pista e a calçada. Fazemos o contrário. Damos prioridade ao pedestre. Por isso, colocamos as pistas de rolamento no cruzamento das ruas na mesma altura da calçada. O automóvel é que vai ter que subir o elevado para passar a faixa de travessia”, acrescenta Dilnei Bittencourt.

Os empreendimentos serão todos verdes, com coletores solares, e atenderão a todas as classes sócio-econômicas. De acordo com Bittencourt, o preço dos imóveis no bairro varia entre R$ 130 mil, com dois quartos e R$ 1 milhão, com quatro quartos e suítes. O objetivo é, com os prédios verdes, evitar o aumento do preço do imóvel, já que o conceito de sustentabilidade pretende não apenas preservar o meio ambiente como também gerar economias para a população.

Para estimular o senso de comunidade e os laços com o bairro, não haverá muros e nem cercas de proteção aos empreendimentos. No lugar deles, haverá reforços na vigilância local, através das já existentes câmeras nas ruas que são monitoradas por equipes especializadas em segurança e pela polícia. O carioca José Carlos Noronha de Oliveira atraído pela organização e segurança do bairro, se mudou para Pedra Branca em 2004.

Projeto de empreendimentos verdes para o bairro Pedra Branca, em Florianópolis”Fiz uma visita ao bairro e fiquei impressionado com a organização do local. Pedra Branca é super protegida. Já morei em 19 capitais, mas ainda não tinha conhecido um planejamento urbano e social como este. As casas são todas orientadas a ter coletor solar e um quarto do terreno de cada imóvel deve estar desnudo para evitar infiltração de água”, diz José Carlos.

O bairro é um modelo de empreendimento que segue as recomendações da norma Leadership in Energy & Environmental Design Neighboorhood Development (LEED ND), ainda em fase de estudos. De acordo com Bittencourt, a iluminação do bairro será feita com sistemas inteligentes de dimerização da luz, que serão implantados a partir do segundo semestre. Ou seja, até as 00h, os postes e prédios incidirão nas ruas feixes luminosos. Após este horário, a luz será reduzida a metade para economizar energia

Revista Vida Imobiliária n° 03

Vida Imobiliária n° 03 / O Ponto de Encontro dos Profissionais

Vida Imobiliária n° 03 / O Ponto de Encontro dos Profissionais

“Vida Imobiliária”, na sua Edição n° 03 – Edição Brasil – Jan/Fev 2009, enfoca o “Mercado Imobiliário Caminha para a Sustentabilidade”. Traz as Certificações que atuam no Brasil.Os principais Green Buildings Brasileiros.
Investir em em sustentabilidade desde o Projeto. Mostra em seu conteúdo que “sustentabilidade”, deixou de ser uma palavra apenas usada por ambientalistas e Ecologistas.
Uma boa leitura para os Profissionais do Mercado Imobiliário.
Publ 21/03/09

Publicado em:  on Março 21, 2009 at 8:53 pm Deixe um comentário